Como usar advocacy e estratégia para abrir caminhos a investimentos internacionais
Em entrevista exclusiva para a newsletter The Incoming Brief, Roberta Dalla, founder da Global Markets Group, fala sobre a importância de uma atuação contínua e estratégica em Advocacy, Relações Públicas e Posicionamento Institucional para atrair investimentos internacionais.
Com uma abordagem prática, ela compartilha como as empresas podem se preparar melhor para dialogar com investidores, construir relacionamentos de longo prazo e estruturar narrativas que transmitam confiança.
“Acho que o importante é a gente pensar, a partir de hoje, que se eu preciso fazer uma relação com os Estados Unidos ou com a China ou com a Europa de modo geral, como faço isso de uma forma estruturada, estratégica”, indica Roberta.
Leia a entrevista completa.
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Como as empresas podem utilizar advocacy e relações públicas para influenciar positivamente a agenda regulatória e avanços em infraestrutura, tanto no Brasil quanto nos EUA?
Eu sempre brinco que o melhor momento de você falar com o investidor é quando você não está ativamente, precisando desesperadamente de um investimento. Vivo ressaltando a importância de ‘advocacy’ e da relação institucional, relação pública e a relação internacional entre a América Latina, o Brasil e outros países como um transformador de negócios e uma ponte eficaz.
E isso não deve acontecer somente em momentos em que a gente necessita de um investimento, deve ser feito ao longo do caminho, o tempo inteiro. Essa ponte deve acontecer durante todo o ano e geralmente esses relacionamentos de investimentos são a longo prazo.
Estamos falando sobre conhecer melhor a estrutura – e, muitas vezes, isso exige viagens. É importante também conhecer a estrutura do outro país, quem são as pessoas que realmente fazem parte dessa regulação ou desse setor em que você precisa de investimento.
Toda vez que a gente fala com o investidor internacional ou institucional, as perguntas devem ser muito bem pensadas. A gente tem que fazer uma estratégia 360, uma comunicação bem executada.
Não só falar sobre as belezas naturais do Brasil, do que o país tem de oportunidades, mas mostrar que a gente está preparado para receber esses investimentos também. Preparado de que forma? Regulatória, de forma legal, em termos de recursos, do meio ambiente – tudo o que a gente pode trazer.
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Como a construção de um business case sólido pode influenciar o acesso a capital e a atração de investidores em setores altamente regulados como o saneamento?
A criação de um ‘business case’ robusto acaba trazendo muitos benefícios. Alguns deles, obviamente, incluem diminuir a percepção de risco do negócio, se antecipar a possíveis obstáculos e pensar em todas as oportunidades que esse negócio pode trazer.
Quando se trata ainda de investidores internacionais ou investidores institucionais, eles esperam que esse plano esteja muito bem pensado, muito robusto. Não só bem desenhado, mas que traga estratégias em diferentes cenários: bom, negativo, pessimista e otimista. A gente deve também entrar em detalhes da operação, comunicação e como isso impacta a economia e politicamente.
É preciso considerar também o que esse investidor institucional quer ouvir e pretende saber sobre esse determinado país. Muitos deles não conhecem especificamente a economia do Brasil, não conhecem em detalhes como funcionam os trâmites legais no país.
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Na sua visão, quais são os riscos de uma empresa entrar em mercados como o brasileiro sem uma estratégia clara?
Cada país tem sua cultura, as suas regulações, as suas legislações e esse conhecimento estratégico é muito importante tanto ao buscar relações internacionais e investimentos quanto ao levar produtos ou serviços para outros países.
Acho que o importante é a gente pensar, a partir de hoje, que se preciso fazer uma relação com os Estados Unidos ou com a China ou com a Europa de modo geral, como faço isso de uma forma estruturada, estratégica.
Qual é o setor que eu realmente tenho interesse, quem são as pessoas naquele setor que fazem parte das decisões naquele país, quem são as pessoas que realmente tomam atitudes e que estão à frente da indústria. É importante, para não perder tempo, também mapear quais são os locais que realmente precisam ser acessados e quais são as legislações que devem ser seguidas.
A estratégia e execução precisam andar juntas. Acho muito importante viajar para os outros países, mas estar preparado para entrar naquele país é chave.
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