Como o Brasil pode ampliar seu protagonismo no comércio internacional e participar das decisões que definirão o futuro da economia global? A resposta passa pelo posicionamento estratégico do setor privado, pela participação nas discussões regulatórias e pela preparação de lideranças para representar os interesses brasileiros no exterior.
Esses são alguns dos temas debatidos no BR+ Global, videocast que busca estimular o setor privado a contribuir para uma agenda de desenvolvimento estratégico de longo prazo para o Brasil.
Nos primeiros episódios, Ana Domingues, CEO da FleishmanHillard Brasil, conduz uma conversa com Gabriella Dorlhiac, diretora-executiva da ICC Brasil, sobre o papel das empresas e das lideranças brasileiras na construção de uma presença internacional mais ativa.
A discussão aborda os desafios do comércio global, a relação entre meio ambiente e regulação, a participação brasileira em negociações internacionais e a importância da comunicação estratégica para fortalecer a influência do país.
Por que o Brasil precisa participar mais ativamente das decisões do comércio internacional?
As regras que orientam o comércio internacional são influenciadas por negociações entre países, acordos comerciais, políticas ambientais e mudanças regulatórias que afetam diretamente a competitividade das empresas.
Para Gabriella Dorlhiac, o setor privado brasileiro precisa participar dessas discussões com maior protagonismo, contribuindo para definir prioridades que apoiem o desenvolvimento econômico do país.
A executiva resume o desafio em uma provocação:
“Quem não está sentado fazendo as novas regras vai jogar com a regra dos outros.”
A reflexão evidencia a importância de as empresas acompanharem as transformações internacionais, compreenderem seus possíveis impactos e contribuírem para uma agenda estratégica de longo prazo.
Em um ano como 2026, marcado por decisões que influenciam as prioridades políticas e econômicas brasileiras, essa discussão ganha relevância.
O desafio não é apenas adaptar o Brasil às novas regras do comércio global, mas ampliar sua capacidade de participar da construção dessas regras.
Comércio, meio ambiente e regulação: onde estão as oportunidades para o Brasil?
A conexão entre comércio internacional, sustentabilidade e regulação é outro tema central do BR+ Global.
Decisões relacionadas a políticas ambientais e acordos comerciais podem influenciar o acesso a mercados, as condições de competitividade e as estratégias de investimento das empresas.
Nesse cenário, Gabriella defende que o Brasil possui características e conhecimentos que justificam uma participação mais ativa nas discussões internacionais, especialmente nas negociações plurilaterais envolvendo comércio e meio ambiente.
Os acordos plurilaterais são instrumentos negociados entre um grupo de países, não necessariamente envolvendo todos os participantes do sistema multilateral de comércio.
Durante a conversa, Ana Domingues também destaca a possibilidade de o Brasil assumir um papel de liderança em determinadas agendas, contribuindo para construir soluções que considerem as necessidades das economias em desenvolvimento.
Para as empresas brasileiras, essa atuação pode representar uma oportunidade de participar das discussões que influenciarão seus mercados e modelos de negócio.
Por que os executivos brasileiros precisam ampliar sua presença internacional?
Além das negociações comerciais, o BR+ Global aborda um desafio de comunicação e posicionamento: as lideranças brasileiras precisam se tornar mais atuantes e visíveis no exterior.
Segundo Gabriella Dorlhiac, ainda existe um desconhecimento sobre a sofisticação e as capacidades do setor privado brasileiro em mercados internacionais.
A executiva argumenta que as empresas possuem competências relevantes, mas nem sempre conseguem comunicá-las adequadamente fora do país.
Ana Domingues complementa essa análise ao observar que a presença internacional das empresas brasileiras não pode se limitar a encontros entre representantes do próprio Brasil.
É necessário ampliar o diálogo com interlocutores estrangeiros, participar de debates globais e compreender os ambientes institucionais e culturais de outros mercados.
A expansão das cadeias globais de valor torna essa necessidade ainda mais evidente.
Para fortalecer sua relevância internacional, não basta estar presente em outros países. É preciso construir relacionamentos, participar das conversas certas e comunicar com clareza o valor que as empresas brasileiras podem oferecer.
Como preparar lideranças para os desafios geopolíticos e reputacionais?
A maior exposição das empresas a questões geopolíticas e regulatórias também exige novas competências de seus executivos.
Na avaliação de Ana Domingues, as lideranças estão sendo cada vez mais provocadas a assumir posicionamentos públicos sobre temas internacionais, muitas vezes sem o repertório necessário para atuar nesses ambientes.
Esse desafio é particularmente relevante para empresas brasileiras com operações ou interesses em outros mercados.
A preparação das lideranças precisa considerar a compreensão do contexto político e econômico, o relacionamento com stakeholders internacionais e a capacidade de construir mensagens adequadas a diferentes públicos.
Nesse processo, o Executive Thought Leadership, ou posicionamento estratégico de lideranças, pode contribuir para fortalecer a credibilidade e a influência dos executivos em discussões relevantes para seus setores.
A atuação também exige consistência entre os posicionamentos individuais, os compromissos corporativos e os objetivos de negócio.
Qual é o papel de Public Affairs e da comunicação estratégica na internacionalização das empresas?
À medida que o ambiente de negócios se torna mais influenciado por decisões políticas, regulatórias e geopolíticas, as estratégias de internacionalização precisam considerar dimensões que vão além das relações comerciais.
Public Affairs contribui para compreender o ambiente institucional, acompanhar políticas públicas, mapear stakeholders e desenvolver estratégias legítimas de relacionamento com interlocutores relevantes.
A comunicação corporativa, por sua vez, ajuda as empresas a construir narrativas consistentes, fortalecer sua reputação e ampliar sua relevância junto aos públicos internacionais.
Quando integradas ao posicionamento de lideranças e à inteligência de cenário, essas competências podem apoiar organizações que buscam expandir suas operações, desenvolver parcerias ou participar de debates estratégicos fora do Brasil.
Essa abordagem exige conhecimento das particularidades de cada mercado e capacidade de conectar os interesses empresariais às agendas que influenciam o comércio e os investimentos internacionais.
BR+ Global: uma conversa sobre o futuro do Brasil no cenário internacional
O BR+ Global propõe ampliar o debate sobre o papel do setor privado na definição de uma agenda de desenvolvimento estratégico para o país.
A conversa entre Ana Domingues e Gabriella Dorlhiac reforça a importância de preparar empresas e lideranças para participar de decisões que ultrapassam as fronteiras nacionais.
Em um cenário de transformações geopolíticas, comerciais e regulatórias, o Brasil possui oportunidades de contribuir para a construção das agendas internacionais que afetarão sua competitividade e seu desenvolvimento.
Assista ao podcast na íntegra.
Transformar esse potencial em protagonismo depende de participação ativa, preparação das lideranças e capacidade de construir relacionamentos estratégicos no exterior.
Na FleishmanHillard Brasil, combinamos inteligência de cenário, comunicação corporativa, Public Affairs, posicionamento de lideranças e gestão de reputação para apoiar organizações em desafios complexos, no Brasil e internacionalmente.
Sua empresa busca fortalecer seu posicionamento internacional e ampliar o relacionamento com stakeholders estratégicos?



